terça-feira, 5 de outubro de 2010

O aborto é contra à lei natural e lei divina, diz Dom Orlando


Gracielle Reis
Da Redação



''Nós queremos também respeitar o instinto da maternidade tão natural e forte'', diz o presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família

“Salientamos o valor da vida em todas as suas dimensões”. Esta é a proposta apresentada no material de divulgação da Semana Nacional da Vida, que tem início nesta quinta-feira, 1º, com encerramento no Dia do Nascituro, na terça-feira, 8.

O presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família da CNBB, Dom Orlando Brandes, explica que a primeira finalidade da Semana é a defesa da vida humana desde o útero materno. O bispo assume a posição “bem clara antiabortista” do evento e afirma que a vida é um direito essencial de qualquer ser humano. “O aborto é contra à lei natural, além de ser contra à lei divina", destaca.

Dom Orlando esclarece ainda que a reflexão se estende a todas as fases e realidades que podem atingir o ser humano: “Como temos que ser responsáveis pela vida humana, em todos os seus estágios, nós também falamos dos mandamentos do motorista, da ecologia, mutirão de combate à fome, dessa Campanha da CNBB, em parceria com o Ministério da Saúde, para que as pessoas façam o quanto antes exames do vírus da AIDS”.

De acordo com o bispo, esta Semana também pretende despertar para questões políticas devido aos diversos projetos, em tramitação no Congresso Nacional, que envolvem a vida e a dignidade humanas, como os projetos de lei favoráveis ao aborto e à manipulação de células-tronco embrionárias.

Dom Orlando afirma que muitos são os sofrimentos causados às mulheres devido à prática do aborto, como observado no atendimento prestado pela Pastoral da Mulher Marginalizada a estas mulheres. “Nós queremos também respeitar o instinto da maternidade tão natural e forte. O aborto, portanto, prejudica duas vidas: a vida criança que é eliminada e a vida da mãe que é prejudicada”, ressalta o bispo.

O presidente da Comissão Episcopal enfatiza ainda que o aborto não deve ser praticado em nenhuma circunstância, mesmo em casos de anencefalia. “Também somos contrários mesmo ao aborto de fetos anencéfalos. Mesmo assim tem o direito de nascer porque é vida humana, porque já é um ser humano e não nos cabe, ou à medicina ou aos políticos, decidir sobre a vida”.

A Semana Nacional da Vida foi lançada na 43ª Assembleia da CNBB, realizada em Itaici, no ano de 2005, quando os bispos convidaram os fiéis e toda a sociedade a se empenharem na defesa e promoção da vida. A Declaração sobre Exigências Éticas em Defesa da Vida, fruto da Assembleia, sugeriu que toda a Igreja no Brasil refletisse sobre o tema através da realização de celebrações, cursos, encontros e seminário de bioética.


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D.Dimas Barbosa - o aborto

CNBB fala sobre eleições e aborto


CNBB


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Dom Dimas: ''Que o cerne de toda política pública seja a pessoa humana, sagrada, intocável, desde o momento em que passa a existir''
O jornal O Estado de S. Paulo, em sua edição de sexta-feira, 20, na página A7, trouxe uma nota afirmando que o secretário geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, “admitiu que os católicos votem em candidatos que são favoráveis ao aborto”. A citação, fora de seu contexto, leva o leitor a interpretações que não correspondem em absoluto à posição do secretário geral em relação a este tema.

Diante disso, o secretário solicitou uma retificação por parte do jornal que foi publicada na edição deste sábado, 21, na página 2, coluna Fórum dos Leitores.

Publicamos abaixo a íntegra do texto

Prezado Senhor Diretor de Redação,

Foi com desagradável surpresa que vi estampada minha fotografia no topo da página A7 da Edição de hoje, sexta-feira, 20 de agosto, com a nota de que eu teria admitido que os católicos votem em candidatos que são favoráveis ao aborto.

Gostaria de expressar, mais uma vez, a posição inegociável da CNBB, que é a mesma do Magistério da Igreja Católica, de defesa intransigente da dignidade da vida humana, desde a sua concepção até a morte natural. O aborto é um crime que clama aos céus, um crime de lesa humanidade. Isso, evidentemente, não significa que o peso da culpa deva recair sobre a gestante. Também ela é, na maioria das vezes, uma grande vítima dessa violência, e precisa de acompanhamento médico, psicológico e espiritual. Aliás, esses
cuidados deveriam vir antes de uma decisão tão dramática.

Os católicos jamais poderão concordar com quaisquer programas de governo, acordos internacionais, leis ou decisões judiciais que venham a sacrificar a vida de um inocente, ainda que em nome de um suposto estado de direito. Aqui, vale plenamente o direito à objeção de consciência e, até, se for o caso, de desobediência civil.

O contexto que deu origem à manchete em questão é uma reflexão que eu fazia em torno da diferença entre eleições majoritárias e proporcionais. No caso da eleição de vereadores e deputados (eleições proporcionais), o eleitor tem uma gama muito ampla para escolher. São centenas de candidatos, e seria impensável votar em alguém que defenda a matança de inocentes, ainda mais com dinheiro público. No caso de eleições majoritárias (prefeitos, senadores, governadores, presidente), a escolha recai sobre alguns poucos candidatos. Às vezes, sobretudo quando há segundo turno, a escolha se dá entre apenas dois candidatos. O que fazer se os dois são favoráveis ao aborto? Uma solução é anular o próprio voto. Quais as conseqüências disso? O voto nulo não beneficiaria justamente aquele que não se quer eleger? É uma escolha grave, que precisa ser bem estudada, e decidida com base numa visão mais ampla do programa proposto pelo candidato ou por seu Partido, considerando que a vida humana não se resume a seu estágio embrionário.

Na luta em defesa da vida, o problema nunca é pontual. As agressões chegam de vários setores do executivo, do legislativo, do judiciário e, até, de acordos internacionais. E chegam em vários níveis: fome, violência, drogas, miséria... São as limitações da democracia representativa. Meu candidato sempre me representa? Definitivamente, não! Às vezes, o candidato é bom, mas seu Partido tem um programa que limita sua ação. Por isso, o exercício da cidadania não pode se restringir ao momento do voto. É preciso acompanhar, passo a passo, os candidatos que forem eleitos. A iniciativa da Ficha Limpa mostrou claramente que, mesmo num Congresso com tantas vozes contrárias, a força da união do povo muda o rumo das votações.

Que o Senhor da Vida inspire nossos eleitores, para que, da decisão das urnas nas próximas eleições, nasçam governos dignos do cargo que deverão assumir. E que o cerne de toda política pública seja a pessoa humana, sagrada, intocável, desde o momento em que passa a existir, no ventre de sua própria mãe.

Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB